Foto: Paola Pivi


Tá louco! Não foi fácil chegar até aqui. Ninguém merece;


Penso que já é hora de parar de escrever. Já são 7 horas. Melhor tirar a farda, e sair de fininho pela porta dos fundos do escritório.

Sou um monge estressado. O pneu da minha lambreta furou e eu estou sem gasolina. Mas tudo bem. Há um pé de ipê roxo logo à frente - a uns dois o três quarteirões, e então eu poderei deitar-me à  sombra e meditar à vontade sobre o que bem entender, e quem sabe até sonhar...

O Sr. Williams é uma pessoa muito misteriosa, para não dizer suspeita. Todas as tardes, depois que os meninos do almoxarifado se vão, ele permanece em sua sala, atrás de prateleiras cheias de utensílios de cozinha, no 2º andar de um prédio antigo, no bairro da Luz. Na faixada há um letreiras escrito "Fim do Mundo".

Ouço-o agora abrindo e fechando as gavetas de sua mesa cheia de cupins, revirando talonários de notas fiscais, puxando e soltando os cordões das persianas, talvez conferindo às escondidas o trabalho de um de seus dois contadores, Oliver e Hard.

Às 18h50 sua cadeira giratória solta um ruído semelhante ao de um dragão sendo ferido. Ele abre os vidros da janela e olha a rua lá embaixo, certificando-se de estou me afastando.